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segunda-feira, maio 22, 2006

O Priorado de Trancoso 

Há poucos dias, houve uma manifestação de um grupo radical por, algures no Sul deste país, terem vindo algumas famílias brasileiras para povoar a região.
Nada disto seria necessário se houvesse gente como o Prior de Trancoso, que no século XV lutou contra a desertificação da Beira Alta, conforme se pode ler da sentença que se segue:

Sentença Proferida em 1487 no Processo contra o Prior de Trancoso
«Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres».
«El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papeis que formaram o processo».


sexta-feira, maio 12, 2006

Selo Vale Mais 

De um momento para o outro, descobriu-se que, na Península Ibérica, havia um enorme entusiasmo pela filatelia.
Pelo que se vai lendo, ouvindo e vendo parece haver uma alegada trafulhice nos tais fundos tangíveis (sempre imaginei que “tangíveis” eram as cordas das guitarras). Gente, supostamente, influente detida, casas seladas, contas congeladas e, para variar, uma multidão a queixar-se e, alguns deles, a passar as responsabilidades para o Estado, no melhor estilo dos agricultores que quando há cheias pedem subsídios e quando há secas, também.
Os valores que parecem estar em causa são elevadíssimos e gosto de ver o ar cândido de quem se sente intrujado, a dizer que perdeu milhões...Mas se de facto os perderam é porque esperavam, gananciosamente, ganhá-los mas deram-lhe cabo da estampilha.
Uns parecem sérios, outros aldrabões mas haverá, entre uns e outros, verdadeiros honestos? Porque, como diria a minha avó, “Mais vale sê-lo que parecê-lo”.

segunda-feira, abril 17, 2006

Manuais 

Anda por aí uma enorme polémica sobre uma comissão que irá certificar os manuais escolares.
Os críticos referem que a atitude é demasiadamente centralista, não tendo em conta as especificidades regionais, o que me leva a pensar que o teorema de Pitágoras deve ter uma formulação no distrito de Bragança diferente da do distrito de Setúbal; o primeiro rei de Portugal deve ter sido um no Distrito de Braga e outro no de Faro. Isto são apenas dois pequenos exemplos que se podem detectar nas críticas feitas. E tudo isto porque existem, segundo os tais críticos, uns senhores que, sentados em gabinetes, decidem assim, de uma forma centralizadora.
Porém uma questão se me põe: se os tais senhores, nos tais gabinetes, em vez de estarem sentados, estivessem de pé, os resultados seriam diferentes?

quinta-feira, abril 13, 2006

AVISO AOS BLOGONAUTAS 


Quero deixar aqui um aviso a quem vier ler este blogue, rejeitando desde já qualquer responsabilidade pela situação criada em função das notícias de hoje.
Quem o estiver a ler, está a pecar!

quinta-feira, março 30, 2006

Representatividades 

A representatividade parlamentar é algo com que se deve ter imenso cuidado, pois há que tentar representar, da forma mais rigorosa possível, toda a população.
Assim deveria haver,por exemplo, uma quota para loiros, morenos, ruivos; magros, gordos e os assim-assim; baixos, medianos e médios, sempre com os vários parâmetros cuidadosamente aferidos.
Porém, foi apenas contemplado o critério de género: 33% para Senhoras e 67% de Cavalheiros, enfim, um critério como qualquer outro e que, segundo alguns salvaguarda a representatividade na constituição de listas para candidatos para diversos órgãos electivos.
Julgo, porém, que esta proposta, anteriormente, contemplava uma percentagem de 50% para cada género o que me levou a temer que, para a eleição da Presidência da República, só seriam possíveis as candidaturas de hermafroditas. Assim, sempre fico mais aliviado.

domingo, março 26, 2006

E o Partido Atrasou-se 

Há umas semanas atrás, houve um enorme alarido acerca do desejo de duas mulheres se casarem.
Tudo o que era media foi para a Conservatória do Registo Civil para constatar, em cima do acontecimento, qual iria ser o posicionamento, jurídico-administrativo do responsável de tal serviço. Houve um Partido parlamentar, que tem por hábito lutar pelas situações fracturantes que não deixou de se manifestar, mais ou menos rigorosamente, sobre a necessidade que havia de as pessoas do mesmo sexo se casarem, para assim usufruírem de todos os enormes benefícios que tal instituição permite e patati e patatá…
Porém, uns tempos mais tarde, o dito Partido vem defender a agilidade do processo de divórcio, ao que parece, já desiludido com os benefícios que anteriormente proclamava, considerando que:
"novas exigências de autonomia individual e de realização afectiva" e considerou o projecto do BE "a mais importante proposta de modernização do direito de familiar português desde 1975, ano em que foi reposto o divórcio para o casamento religioso".

No entanto, estou convencido que estão rotundamente enganados, e que a situação já não é tão moderna quanto pensam, pois, como diria o lírico poeta, “todo o tempo é feito de mudança”. Assim, se dantes era vulgar a existência dos famosos “casamentos de conveniência” , hoje, desenvolvem-se, mesmo sem o apoio do tal Partido, posições bem mais fracturantes como é o caso dos “divórcios por conveniência” , como é bem ilustrado, segundo os media nos informam, com o caso de uma muito mediática autarca , que convenientemente se divorciou do marido, para se tornar numa “nova-pobre” de forma a poder escapulir-se a algumas decisões que aquela entidade, que teima em andar com uma balança numa mão e uma espada na outra a jogar à cabra-cega, pudesse eventualmente tomar.

terça-feira, março 21, 2006

Dias Não São Dias 

A minha avó costumava usar muito esta expressão para justificar algum abuso em qualquer área em que não seria suposto abusar.
Se a Senhora abusava num dia ou noutro, temos por outro lado uma abuso de Dias – Mundiais, Internacionais e quejandos – sendo a lista praticamente infindável, ora com intuitos comerciais, de protesto, de solidariedade de divulgação mas que em qualquer caso pouco ou nada adiantam na vida de qualquer de nós, excepto aqueles que deles se utilizam para fazer a sua auto-promoção.
Assim temos, de forma aleatória: o Dia da Paz, do Holocausto, da Árvore, da Floresta, do Sono, do Idoso, do Hemofílico, do Deficiente, da Saúde, da Água, da Meteorologia, da SIDA, da Mulher, das Mentiras, da Mãe, do Pai, dos Avós, da Criança, da Música, do Cosmonauta, da Terra, do Estudante, do Não Fumador, do Coração, da Propriedade Intelectual, do Teatro, do Dador de Sangue, dos Museus, da Dança, da Energia, do Ambiente, dos Refugiados, da Solidariedade, da Imprensa, da Fotografia, da Juventude, dos Professores, dos Correios, da Televisão, da Memória das Vítimas da Estrada, do Escutismo e, como já estou cansado de escrever, fico-me por aqui!
Há um dia que me merece particular carinho que é o Dia das Populações Indígenas, pois este é o dia de todos nós, já que qualquer um de nós é indígena de um local qualquer, embora quando era pequeno achasse que os indígenas eram os índios que apareciam nos filmes de cow-boys (sim, no tempo em que havia cow-boys a sério) ou a rapaziada que tinha uma pigmentação um nadinha mais acentuada; no entanto dá-me a ideia que essa minha ideia pueril ainda se mantém nas mentes adultas e bem pensantes.
Mas hoje, como é o Dia Mundial da Poesia, não quero deixar de o homenagear transcrevendo aqui um pequeno e modesto verso, do mais fino recorte literário, que desde há muitos anos vou ouvindo nas mais variadas circunstâncias:

Ò Lua que vais tão alta ,
Redonda como um tamanco.
Ó Maria traz cá a escada,
Que não chego lá com o banco.


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